sexta-feira, 17 de maio de 2013

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

ZOOLOGIA - 50
CLASSE DOS MAMÍFEROS - 13
ORDEM CARNÍVORA - 6
FAMÍLIA CANIDAE - 3
GÊNERO CHRYSOCYON - 1


ESPÉCIE: Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) - Illiger, 1815 [NT].

              O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), também conhecido como guará, aguará e aguaraçu, é o maior canídeo nativo da América do Sul e a única espécie do seu gênero, Chrysocyon. A espécie não está diretamente ligada a nenhum outro gênero de canídeos e aparentemente é uma relíquia da fauna pleistocênica da América do Sul, que desapareceu, na maioria, após a formação do Istmo do Panamá.

              O Lobo-guará habita as pradarias e matagais da América do Sul central, com distribuição geográfica indo desde a foz do rio Parnaíba, no nordeste do Brasil, passando pelas terras baixas da Bolívia, o oeste dos Pampas del Heath, no Peru e o chaco paraguaio, até o estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Evidências da presença do lobo-guará na Argentina podem ser encontradas até o Paralelo 30, sendo que recentes avistamentos foram reportados na província de Santiago del Estero. Eles provavelmente também habitam o norte do Uruguai. Sua presença neste país foi confirmada através da captura de um espécime em 1990, mas desde então não foi reportado mais nenhum avistamento.

              Os biomas de sua ocorrência no Brasil são: cerrado, veredas, Pantanal,Campos do Sul, parte da caatingaMata Atlântica, sendo frequentemente encontrado nos Campos Gerais, região do estado do Paraná, próximo à cidade de Guarapuava, cidade esta cujo nome é uma referência ao animal.
              De uma população total estimada em 23.600 indivíduos, cerca de 21.746 encontram-se no Brasil, 880 no Paraguai e 660 na Argentina. O número de indivíduos na Bolívia provavelmente não excede os 1.000 animais. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o estado de conservação da espécie é pouco preocupante, mas no Brasil o lobo-guará é considerado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) uma espécie ameaçada de extinção, com estado de conservação vulnerável.

Taxonomia
              A relação evolucionária com os outros membros da família canidae faz do lobo-guará um animal único. Apesar de exibir muitas características semelhantes às das raposas, o lobo-guará não está relacionado com estas e não tem as pupilas elípticas comuns ao gênero Vulpes. Estudos usando eletroforese de ADN não demonstraram ligações do gênero Chrysocyon com os outros canídeos analisados. Uma conclusão deste estudo é que o lobo-guará é o único sobrevivente à extinção de grandes canídeos sul-americanos do Pleistoceno Superior. Fósseis de lobo-guará originários do Holoceno e do Pleistoceno Superior foram escavados no Planalto Brasileiro.

              Um estudo comparando a anatomia cerebral de vários canídeos, publicado em 2003, colocou o lobo-guará junto à raposa-das-falkland e a outras pseudo-raposas do gênero Pseudalopex. Um outro estudo, baseado em análises de ADN e publicado em 2009, demonstrou que a raposa-das-falkland, já extinta, é a espécie geneticamente mais próxima ao lobo-guará, sendo que ambas evoluíram de um ancestral comum, que viveu há aproximadamente 6 milhões de anos.
              A espécie não-extinta geneticamente mais próxima do lobo-guará é o cachorro-vinagre (gênero Speothos), seguida por outros canídeos sul-americanos como o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, o Guaraxaim e as espécies pertencentes ao gênero das falsas-raposas, Pseudalopex.

              O Lobo-guará, única espécie do gênero Chrysocyon, não está relacionado a nenhum outro canídeo moderno. Apesar de no passado já ter estado subordinado aos gêneros Canis e Vulpes, graças a suas semelhanças morfológicas, o guará é uma espécie distinta, que não pode ser descrita como raposa, lobo, coiote ou chacal.

Etimologia
              "Lobo" origina-se do latim lupus. "Guará" e "aguará" se originaram do tupi agoa'rá, "pelo de penugem". "Aguaraçu" veio do termo tupi para "guará grande". O nome do gênero, Chrysocyon, deriva do grego e significa "cão dourado". Guará vem do tupi e significa "vermelho"

Características
              O lobo-guará pode medir até 1 metro de altura. Seu comprimento cabeça-corpo é de 1,20 a 1,30 metros. A altura no ombro dos animais adultos oscila entre 74 e 78 centímetros, enquanto que o peso varia de 20 e 23 kg. A pelagem do corpo dos lobos-guará é avermelhada, exceto no pescoço, lombo, patas e ponta da cauda, que são de cor preta, podendo as pontas da cauda, das orelhas e do papo serem da cor branca.

              Diferentemente dos lobos, esta espécie não forma alcateias e tem hábitos solitários, juntando-se apenas em casais durante a época de reprodução.

Reprodução
              A gestação dura em média 65 dias e resulta em ninhadas de até seis crias sendo dois o número médio de crias que nascem entre junho e setembro. Os filhotes nascem pretos, com a ponta da cauda branca e pesam entre 340 e 410 gramas. Os lobos-guará atingem sua maturidade sexual com um ano de idade. O lobo guará tem seus filhotes somente no mês de junho e quando nascem a fêmea não sai da toca e é alimentada pelo macho.

Dieta
              O lobo-guará caça preferencialmente de noite, mas em época de reprodução é comum procurar alimento durante o dia. Ataca pequenos mamíferos roedores e aves, mas a sua dieta tem uma forte componente onívora. Estes animais são bastante dependentes da lobeira (Solanum lycocarpum) e estabelecem, com esta planta, uma relação simbiótica: sem os frutos da lobeira, o lobo-guará morre de complicações renais causadas por nemátodos. Em contrapartida, o guará tem um papel fundamental na dispersão das sementes dessa planta.

Estado e iniciativas de conservação
              Embora o atual estado de conservação da espécie, de acordo com a IUCN, seja pouco preocupante, a médio prazo o lobo-guará corre risco de extinção na natureza, em função do declínio populacional e da extrema fragmentação da área de ocupação. No Brasil, de acordo com o ICMBio, o lobo-guará é considerado uma espécie ameaçada de extinção, com estado de conservação vulnerável, sendo ainda objeto de um plano de ação nacional cujo objetivo é a sua conservação. O lobo-guará ocorre em várias áreas protegidas na Argentina, no Brasil, na Bolívia, no Paraguai e no Peru. Na Argentina está classificada entre as espécies em perigo (EN). Sua caça é proibida no Brasil, Paraguai e Bolívia.

              As principais ameaças ao lobo-guará vêm da conversão de terras para agricultura, do fato de ser susceptível a doenças de cães domésticos, que competem com eles por alimento, e de acidentes, como atropelamentos em estradas. Uma fêmea de lobo-guará, que fora atropelada, passou por um tratamento com células-tronco no Zoológico de Brasília. Este foi o primeiro caso registrado do uso de células-tronco para curar lesões num animal selvagem.

              Estudos ecológicos e de variabilidade genética da espécie são desenvolvidos em várias instituições de pesquisa brasileiras, das quais pode-se citar a Associação Pró-Carnívoros, CNPq, a União de Ensino do Planalto Central, a USP, a Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, a EMBRAPA e a Universidade de Brasília.

Fotos: 46.









































  





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