quarta-feira, 24 de julho de 2013

Rã-arborícola-de-White (Litoria caerulea)

ZOOLOGIA - 140
CLASSE DOS ANFÍBIOS - 5
ORDEM ANURA - 5
FAMÍLIA HYLIDAE - 1
GÊNERO LITORA - 1


ESPÉCIE: Rã-arborícola-de-White (Litoria caerulea) - White, 1790 [LC].

A ORDEM ANURA:

              Os anuros (latim científico: Anura) constituem uma ordem de animais pertencentes à classe Amphibia, que inclui sapos, rãs e pererecas (ou relas). Ainda que se possam estabelecer algumas diferenças entre sapos e rãs, estas diferenças não são utilizadas pelos cientistas na sua classificação. O seu nome vem do grego, significando sem cauda (an-, sem + oura, cauda).

              A maioria dos anuros são caracterizados por longas patas posteriores, corpo curto, membranas interdigitais (nos dedos das mãos ou dos pés), olhos protuberantes e a ausência de cauda. A maioria das rãs tem um estilo de vida semi-aquático, mas move-se facilmente em terra saltando ou escalando. Tipicamente, depositam os seus ovos em poças de água, charcos ou lagos, e as suas larvas, chamadas de girinos, tem guelras e desenvolvem-se na água. Rãs adultas seguem uma dieta carnívora, constituída principalmente de artrópodes, anelídeos e gastrópodes. Os anuros são reconhecíveis pelo seu chamamento (coaxo), que pode ser ouvido durante a noite ou dia, principalmente durante a sua época de reprodução e/ou em dias com alta umidade.

              A distribuição de anuros vai desde os trópicos até regiões subárcticas, mas a maioria das espécies pode ser encontrado em florestas tropicais. Consistindo em mais de 6.000 espécies descritas, estão entre os grupos de vertebrados mais diversos. Contudo, populações de certas espécies de rãs estão em declínio significativo.

              É feita por vezes uma distinção entre rãs e sapos baseando-se na sua aparência, provocada por evolução convergente entre os chamados sapos a ambientes secos no entanto, a distinção não tem base taxonômica. A única família com o nome exclusivamente de "sapo" é a Bufonidae, mas muitas outras espécies de outras famílias são chamados também de "sapos", e espécies do Gênero de sapos Atelopus são conhecidas com rã-arlequim.


A rã-arborícola-de-white  (Litoria caerulea) - White, 1790 [LC].

              A Rã-arborícola-de-white, também conhecida como rela-verde-australiana ou simplesmente rela-verde (Litoria caerulea) é uma espécie de rela natural da Austrália e Nova Guiné, com populações introduzidas na Nova Zelândia e Estados Unidos. A espécie pertence ao Gênero Litoria. Fisiologicamente, é muito semelhante a outras espécies do Gênero, especialmente à Litoria splendida e à Litoria infrafrenata.

              A Rela-verde é uma espécie grande comparada com a maioria das rãs australianas, chegando aos 10 centímetros de comprimento. A esperança média de vida desta rã em cativeiro, de cerca de dezasseis anos, é longa comparada com a da maioria das rãs. São animais dóceis e bem adaptados para viver perto de áreas ocupadas pelo homem. É comum encontrá-las empoleiradas em janelas ou dentro das casas, comendo insetos que foram atraídos pela luz.

              Devido às suas características físicas e comportamentais, a rela-verde tornou-se uma das espécies mais emblemáticas da região, e é popular como animal de estimação exótico no mundo inteiro. As secreções cutâneas desta espécie tem propriedades antibacteriana e antiviral, o que pode ser útil em preparações farmacêuticas.

Classificação
              O nome comum da espécie, "Rela-verde-de-White", foi dado em honra da primeira pessoa a descrever a espécie, John White, em 1790. A rela-verde foi a primeira rã australiana a ser classificada cientificamente.

              A espécie foi originalmente chamada "Rã-azul" (Rana caerulea); apesar de a cor predominante da espécie ser verde, os espécimes originais enviados a White para Inglaterra estavam danificados devido ao material onde foram conservados e por isso pareciam azuis. A cor da pele desta espécie é formada por pigmentos azuis e verdes cobertos por uma camada amarela. O conservante destruiu a camada amarela exterior e deixou a rela com uma aparência azulada. O epíteto específico caerulea, que é azul em latim, permaneceu igual. A rela é também conhecida simplesmente com rela-verde. No entanto, este nome é frequentemente dado à rela verde mais comum de uma determinada região, como por exemplo, a rela-verde-americana (Hyla cinerea).

Descrição
              A Rela-verde pode crescer até aos 10 centímetros de comprimento. A sua cor é dependente da temperatura e cor do ambiente, indo do castanho até ao verde; o seu ventre é branco. Pode apresentar ocasionalmente pequenas manchas brancas de forma irregular nas costas, até cinco milímetros de diâmetro, que vão aumentando de número com a idade. A rela tem ventosas discais grandes na ponta de cada dedo, de cerca de 5 mm de diâmetro na idade adulta. Estes ajudam as relas a trepar e permitem que possam subir verticalmente inclusivamente em janelas de vidro. Os olhos são dourados com a íris horizontal, típica do Gênero Litoria. Os dedos dos membros anteriores tem membrana interdigital até cerca de um terço do comprimento, enquanto que os dedos dos pés tem membrana até três quartos do comprimento. O tímpano é visível.

              A Rela-verde pode ser confundida com a espécie Litoria splendida, que habita apenas o Noroeste da Austrália e que pode ser distinguida pela presença de parotóides e de glândula rostral na cabeça. A espécie Litoria infrafrenata pode por vezes também ser confundida com a rela-verde. A principal diferença é uma faixa branca proeminente ao longo da mandíbula inferior da Litoria infrafrenata, que não se encontra na Rela-verde.

              Apesar de as rãs terem pulmões, absorvem oxigênio através da pele. Para este processo ser eficaz, a pele deve estar úmida. A desvantagem de pele úmida é que agentes patogênicos podem multiplicar-se mais facilmente, aumentando a possibilidade de uma infecção. Para contrariar isto, as rãs segregam péptidos que destroem estes patogênicos. As secreções cutâneas da rela-verde contêm caerinas, um grupo de péptidos com propriedades antibacterianas e antivirais. Também contem caerulinas, que têm o mesmo efeito fisiológico que a CCK8, uma hormona digestiva e repressora do apetite. Vários péptidos das secreções cutâneas de Rela-verde são capazes de destruir o VIH sem danificar células T saudáveis.

Girino
              A aparência dos girinos muda ao longo do seu desenvolvimento. O comprimento dos girinos desta espécie vão desde os 8,1 milímetros (assim que eclodem) até 44 milímetros  Inicialmente são pintalgados de castanho, e aumentam de pigmentação (para verde ou castanho) durante o desenvolvimento. A lado inferior começa por ser escuro e vai clareando, eventualmente tornando-se branco nos adultos. Os ovos são castanhos, dentro de uma gelatina translúcida e tem 1,1 a 1,4 milímetros de diâmetro.

Distribuição
              Distribuição de Litoria caerulea (em preto) no continente Australiano.
              A rela-verde é natural das regiões Norte e Este da Austrália e do Sul da Nova Guiné. A distribuição está limitada principalmente a áreas com clima tropical quente e úmido. Na Nova Guiné, a rela-verde está restrita a região do Sul, mais seca. Os seus limites vão desde Irian Jaya até Port Moresby, e o local onde são mais abundantes é na ilha Daru. Há registos isolados de ocorrência no norte da Nova Guiné, mas pensa-se que serão devidos a introdução por seres humanos.

              A espécie foi introduzida quer nos Estados Unidos quer na Nova Zelândia. Nos Estados Unidos, está restrita a duas áreas na Flórida, onde foi introduzida possivelmente pelo comércio de animais de estimação. Foram encontradas apenas populações pequenas na Flórida, e não é certo que tenham provocado qualquer dano em termos ecológicos como espécie invasora. Em tempos, na Nova Zelândia, esteve presente uma população, mas não é avistada desde a década de 1950.

Ecologia, comportamento e ciclo de vida
              As relas-verdes são extremamente dóceis. São animais noturnos e aparecem ao fim da tarde para fazer chamamentos (na Primavera e Verão) e caçam à noite. Durante o dia procuram sítios frescos, escuros e úmidos para dormir. Durante o Inverno, as relas-verdes não produzem chamamento e é raro serem avistadas.

              Dependendo da localização, as relas-verdes ocupam vários habitats. Tipicamente, podemos encontrá-las no topo das árvores perto de águas paradas. Contudo, consegue sobreviver em pântanos (por entre juncos) ou em prados em climas mais temperados. Relas-verdes são bem conhecidas por habitarem fontes de água dentro de casas, como lavatórios ou retretes. Podem também ser encontradas em janelas enquanto comem insectos. Podem ocupar tanques (cisternas) e calhas, devido a elevada humildade e à temperatura mais baixa que no exterior. Durante a época de reprodução as relas são atraídas para estes sítios, porque a estrutura amplifica os chamamentos.
              O chamamento da espécie é um lento e baixo bróque-bróque-bróque, repetido várias vezes. Durante a maior parte do ano, ele chamam a partir de posições elevadas, como árvores ou calhas. Quando chega à época de reprodução as relas descem, apesar de permanecerem ligeiramente elevadas, e fazem os chamamentos perto de águas paradas, temporárias ou permanentes. Assim com várias outras rãs, as relas-verdes chamam não só para encontrar parceiro, mas também para anunciar a sua localização fora da época reprodutora, normalmente depois de chuva, por razões desconhecidas. Emitem um chamamento de alarme quando estão em perigo, como quando há predadores por perto ou quando uma pessoa pisa um tronco onde se encontre uma rã.
              A dieta da espécie consiste principalmente de insetos e aranhas, mas também pode incluir rãs mais pequenas e até pequenos mamíferos. Os dentes das rãs não são apropriados para cortar as presas, por isso a presa deve caber dentro da boca da rela. Muitas rãs atiram as suas línguas pegajosas para apanhar as presas. As presas aderem à língua, e são consumidas. A rela-verde usa esta técnica para presas pequenas; no entanto, para presas maiores, ela salta no ar e força a presa a entrar na sua boca com as mãos.
              A rã tem alguns predadores naturais, entre eles cobras e algumas espécies de lagartos e aves. Desde a chegada de Europeus à Austrália, predadores não naturais foram introduzidos, principalmente cães e gatos. A esperança média de vida desta espécie é de dezasseis anos, em cativeiro, mas pode viver até mais de vinte anos, o que é bastante tempo para uma rã. Na Natureza, a esperança média de vida é mais baixa devido a predação.

Importância para os humanos

Como animal de estimação
              A rela-verde é uma das mais populares rãs de estimação do mundo. A sua natureza dócil, aparência de "desenho animado", e longa esperança média de vida fazem com que seja uma escolha atrativa para os donos de espécies exóticas. É também umas das rãs mais fáceis de tratar. Têm uma dieta muito variada e são muito resistentes a doenças. Um problema normalmente associado à manutenção desta espécie em cativeiro é a sobre-alimentação; as relas-verdes têm a tendência de se tornarem obesas se alimentadas em demasia. Na natureza, as rãs têm de gastar energia para capturar presas. Contudo, em cativeiro são normalmente alimentadas em espaços pequenos. Isto acarreta a diminuição da atividade necessária para a alimentação, resultando num aumento de peso. Indivíduos com excesso de peso depositam camadas de gordura no topo da cabeça, dando à cabeça um aspecto arredondado.

Conservação
              A rela-verde-australiana está protegida pela lei australiana - assim como toda a fauna local - pela lei federal Environment Protection and Biodiversity Conservation Act 1999. A UICN lista esta espécie como uma espécie "pouco preocupante", dada a sua grande área de distribuição e população, habitat equilibrado e porque o seu declínio não é provavelmente tão acentuado que necessite um estatuto mais grave. Grande parte do habitat natural da rela-verde foi destruído. Além disso, encontraram-se algumas relas infectadas com um fungo. Estes dois factores associados ao declínio geral das populações de anfíbios na Austrália ameaçam reduzir a população da rela-verde. No entanto, devido ao longo ciclo de vida desta espécie, qualquer efeito na redução da taxa de reprodução demorará mais tempo a ser detectado do que numa espécie com um ciclo de vida menor.

Fotos: 35.




































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